No Dia do Aposentado, veja a opinião de especialistas sobre como este nicho de clientes da terceira idade pode ser muito mais do que bem vindo em sua academia

O nicho da terceira idade já desperta grande interesse nas academias e aqui neste artigo, queremos abordar sobre a inclusão deste público nas academias.

Já é sabido que a expectativa de vida no Brasil vem crescendo ano após ano, só que apenas este mero dado estatístico não é suficiente.

O fato é que, depois de tanto tempo falando em longevidade, hoje muito se fala em qualidade de vida na longevidade.

De forma simples: adicionar qualidade à vida que os idosos e pessoas da terceira idade passaram a ter a mais para gastar (ou aproveitar).

No eBook que lançamos no final do ano passado, sobre as tendências do fitness para 2020, promover atividades para o público da terceira idade surge como uma das tendências mais comentadas.

E para melhor embasar este artigo, fizemos entrevistas com profissionais que estão em permanente contato com a população que tem mais de 60 anos no Brasil e fizemos algumas perguntas sobre como podemos transformar as academias em um ambiente mais acolhedor para essas pessoas.

A medicina recomenda a atividade física para pessoas na terceira idade

Conversamos com o Dr. Paulo Canineu, Doutor em Gerontologia e Educação pela UNICAMP, geriatra com mais de 40 anos de experiência com o público da terceira idade e ele respondeu às seguintes perguntas:

1- Antigamente, o conceito de “idoso”, a pessoa com mais de 60 anos, dava a ideia de uma pessoa “velha”. Hoje, temos muitos exemplos de pessoas com 60, 70 ou até 80 anos que são ativas. O que teria provocado essa mudança?

É preciso colocar alguns dados estatísticos antes de responder. Por exemplo: nos chamados países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, o início da terceira idade se dá aos sessenta anos e nos chamados países desenvolvidos, este início ocorre aos 65 anos.

Um outro dado interessante: no ano de 1949, na região de São Paulo, a expectativa de vida da população girava em torno dos 45 anos. Hoje, essa expectativa caminha para mais de 70 anos e vem crescendo.

Isso ocorre porque existe, já há algum tempo, uma série de ações afirmativas visando conscientizar as pessoas para a importância de “cuidar da saúde”.

A medicina preventiva, informações que vêm da imprensa, as próprias academias onde se fala muito sobre o papel da atividade física, mostrando os benefícios, a importância de bons hábitos alimentares, tudo isso contribui para uma população mais ativa por muito mais tempo.

Existe, então, uma busca por uma vida mais ativa, e quando se fala em vida mais ativa, estamos falando de vida mais saudável, com mais qualidade.

2- Antes, toda ação de conscientização sobre hábitos saudáveis falava em longevidade, prolongar o tempo de vida. Hoje, já começa a se falar em qualidade de vida na longevidade. Como você vê isso na nossa sociedade?

Realmente, viver por mais tempo já não basta.

Existem muitos casos de pessoas que atingem idades avançadas e longevas, mas a maneira como chegam a esta idade nem sempre é satisfatória.

Muitas vezes, chegam com sequelas de alguma doença, ou dificuldade para andar, demência, perda da capacidade psíquica e emocional, tudo o que faz com que a vida do idoso nesta fase não tenha qualidade.

Por isso, é importante saber que nos anos a mais que podemos viver hoje em dia, com expectativa de vida mais alta, esses anos tenham mais qualidade e prazer, tanto para o idoso, quanto para as pessoas que estão ao seu redor.

O efeito disso é uma sociedade mais forte, mais produtiva, com mais esperança e também felicidade.

3- Falamos em uma população ativa de idosos e é importante dizer que inclusive, são economicamente ativos. Ou tem boas aposentadorias, ou conseguiram ter uma reserva. E querem usar esse dinheiro vivendo com qualidade essa fase da vida. Como os familiares e amigos mais próximos podem participar disso?

O que eu tenho a dizer sobre isso é provocar uma reflexão contra um aspecto egoísta da nossa nossa sociedade. Porque a humanidade não pode olhar apenas para si próprio, para aqueles que o rodeiam ou somente a sua família.

A vida é uma democracia, ela significa uma grande partilha. Por isso, é comum que uma pessoa que chegue nessa idade em uma situação financeira confortável, proporcione aos mais próximos algumas possibilidades de usufruir desta condição.

A melhor maneira que os familiares e mais próximos podem participar da vida de alguém que chegou à terceira idade ou à aposentadoria com prosperidade e conforto é entender esta pessoa como um exemplo para os demais, como alguém que venceu.

E não me limitando apenas aos aspectos materiais, mas quando temos ao nosso redor uma pessoa que cumpriu com o seu dever de trabalhador e se aposentou, isso significa uma pessoa com mais tempo inclusive para as pessoas que o rodeiam.

Por isso, é importante também neste momento, se lembrar de algo que se diz muito apenas nas igrejas, mas que deveria ser algo a ser vivenciado em todos os lugares: o amor ao próximo. Aproveite para celebrar e demonstrar este amor e não perca a oportunidade de aprender com essa pessoa sobre toda a caminhada de vida dela até aqui.

4- Falando em atividade física. Antes, falava-se muito em “exercícios para idosos”. Hoje, é comum vermos pessoas de 80 anos correndo maratonas. Como abordar a questão da atividade física na vida dos idosos?

Esta resposta, o Dr. Paulo nos forneceu uma resposta em vídeo, que você pode conferir abaixo.

E se me permitem uma observação, acho interessante notar o aspecto jovial deste descolado senhor de quase 70 anos, corroborando a tese de que juventude também pode ser um estado de espírito.

Uma referência em atividade física para a terceira idade esclarece pontos importantes

Uma das maiores autoridades em atividade física na terceira idade é o Dr. José Maria Santarém, que está a frente do Instituto Biodelta, além de ser a pessoa à frente de um dos cursos de Pós Graduação quase obrigatórios, de Fisiologia do Exercício, na Faculdade de Medicina na USP.

Recomendamos para você:  Saiba como lucrar mais em sua academia aproveitando as promessas de ano novo dos clientes

E para este material, conversamos com a Coordenadora do Instituto Bio Delta, Sandra Nunes, Educadora Física e Pedagoga, sobre alguns aspectos da atividade física na terceira idade.

1- Por que o treinamento resistido (musculação) é tão recomendado para idosos? Quais são os grandes benefícios que trazem para estas pessoas da melhor idade?

A gente recomenda para todos os que estão no processo de envelhecimento porque um dos efeitos do envelhecimento é a perda de força muscular e nas atividades simples do dia a dia, a força muscular é a aptidão mais importante, desde sentar e levantar, subir escada, carregar sacola tudo isso requer força muscular. E por isso, recomendamos a musculação como atividade em que as pessoas devem fazer sempre, desde mais jovens. Mas enfatizamos a importância da musculação a partir dos 50 anos, quando a tendência é ter uma perda muscular de mais ou menos 10% por década.

2- Quais elementos são fundamentais para fidelizar o idoso à atividade física, para que ele comece a perceber os resultados do treino na sua vida?

Para o idoso fidelizar o treinamento, primeiro é preciso um profissional que entenda as limitações que ele possa apresentar. Ele pode apresentar problemas nas articulações por desgaste, algumas fragilidades, instabilidades ou alguma doença mesmo decorrente do envelhecimento, como artrose, tendinopatia.

Então, é fundamental que o profissional entenda e conheça como funciona o processo de envelhecimento, para poder adaptar o treino às questões individuais, pois as pessoas apresentam limitações e dores em razão destes efeitos do envelhecimento.

Então, para fidelizar o idoso, ele precisa se sentir muito seguro com relação ao profissional, que além de conhecer as limitações e prescrever um bom treino individualizado, é fundamental um bom acompanhamento, para que ele se sinta bem supervisionado. Porque todos estes fatores, vão trazer melhoria na qualidade de vida do idoso e ele acaba sabendo que se ele parar de treinar, o quadro de dores e até mesmo a doença, pode voltar.

3- Qual a melhor abordagem com um cliente que tem mais de 60 anos, para que ele compreenda a importância da atividade física e dos benefícios?

Uma abordagem que eu considero bastante eficiente é mostrar para o idoso o papel do exercício na prevenção das doenças e mostrar o quanto ele pode ter uma vida com muito mais autonomia, por muito mais tempo, se continuar praticando atividade física.

É um desejo declarado do idoso envelhecer com mais autonomia e não ter que depender de outras pessoas para fazer tarefas muito simples do dia a dia.

Então, eu acredito que provocar essa reflexão sobre as limitações que ele pode ter para realizar as tarefas do dia a dia e como o exercício físico pode ajudá-lo nesse aspecto, é um jeito muito eficiente de fazer com que o idoso perceba a importância da atividade física e dos benefícios.

4- Como uma academia deve se preparar para receber, prescrever exercícios e fidelizar clientes com mais de 60 anos?

Primeiramente, é fundamental investir nos profissionais.

Tanto promover treinamento e formação neste nicho específico ou já contratar profissionais que tenham essa especialização. Nos dias de hoje, com o mercado cada vez mais competitivo, é possível encontrar profissionais que buscam se diferenciar e têm essa especificidade.

E se a academia realmente quiser atender com qualidade e eficiência esse nicho, além da qualificação do profissional, ela tem que criar uma forma de atendimento onde o profissional consiga dar conta, com eficiência, deste número de clientes, já que não é o mesmo tipo de atendimento de um salão de musculação normal, com vinte ou trinta alunos por profissional.

O idoso precisa de um acompanhamento mais atento, então, se a academia estiver disposta a atender o público de idosos, deve saber que ele requer um pouco mais de atenção, para se sentir seguro e ter um aproveitamento maior do treino.

Para finalizar, a Sandra ressaltou, com a experiência que tem no próprio Instituto Biodelta, que as queixas mais frequentes do idoso giram em torno da falta de supervisão por parte dos profissionais e também o próprio ambiente da academia. Música alta, dentre outras coisas, pode afastar o idoso de sua academia.

Então, se você estiver disposto a atender este nicho, que surge como uma forte tendência no mercado, será preciso realizar algumas adaptações e até pequenos investimentos.

Porém, pelo que se apresenta para o futuro, com uma população de terceira idade ativa física e economicamente, parece uma boa estratégia.

É preciso falar das políticas públicas para a promoção da saúde deste nicho da terceira idade

Deixamos para o final a contribuição que foi dada pelo Secretário de Esportes de Sorocaba, Simei Lamarca, que falou sobre as políticas públicas de inclusão das pessoas da terceira idade no meio da prática da atividade física.

Falamos também sobre os benefícios disso para a população como um todo, inclusive para o Governos, que só tem a ganhar com uma população mais saudável.

Simei, além de ter sido atleta profissional de Futsal, é profissional de educação física e sócio proprietário de uma empresa de ginástica laboral, portanto, está há muito tempo em contato com a promoção de saúde no meio que frequenta.

Para saber o que o Secretário de Esportes disse a respeito do tema relativo ao Dia do Aposentado, clique abaixo para assistir ao vídeo.

Quando chegar a sua vez de fazer parte do nicho da terceira idade, saiba que você contribuiu para que as coisas melhorassem

O intuito deste artigo é fornecer ao gestor de academia e ao profissional de Educação Física, algumas informações sobre um público que está ansioso para praticar as mais variadas formas de atividade física.

Faça com que a sua academia seja um ambiente acolhedor para eles, trate-os como se você estivesse tratando o seu pai ou sua mãe, não por estratégia comercial, mas porque eles provavelmente merecem.

E se você quiser mais dicas sobre como o EVO pode garantir uma performance melhor na gestão da sua academia, clique aqui e agende uma conversa com um de nossos especialistas.